“ANIMALS”… DA CAPA AO CONTEÚDO MUSICAL, UM CLÁSSICO!

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Lançado há quarenta anos, em 23 de janeiro de 1977, o décimo álbum do Pink Floyd, mostra uma musicalidade mais ácida e pesada, com um conceito baseado na crítica política e social do Reino Unido, na segunda metade dos anos setenta.1

Tal tema iria ocasionar algumas discórdias entre o tecladista Richard Wright, e o baixista e vocalista Roger Waters. O direcionamento político, que passaria a fazer parte das letras do Floyd a partir de então, desagradava também o guitarrista e também vocalista David Gilmour, porém, o sentimento de Wright era muito mais negativo, o que iria ocasionar sua saída do grupo três anos mais tarde.

Gravado no estúdio da banda, o Britannia Row, em Londres, as opiniões positivas da critica foram quase que unânimes. Nas paradas, “Animals” também não decepcionou, indo direto ao segundo posto das paradas inglesas, enquanto nos Estados Unidos o disco chegaria à terceira posição. Até hoje, “Animals” já recebeu quatro discos de platina. A turnê que promoveu o álbum, seria batizada de In The Flesh, e somente foi levada a grandes arenas, tanto na Europa como nos Estados Unidos, onde foram usados todo tipo de pirotecnia e efeitos e vários infláveis que incluíam o famoso “porco voador”, que aparece na capa do disco.2

Além da parte musical (Pigs on The Wing 1/Dogs/Pigs (Three Different Ones)/Sheep/Pigs On The Wing 2), a capa também chamou, e ainda hoje, chama a atenção. Simploriamente as pessoas se referem à “Animals”, como “aquele disco com uma fábrica e as chaminés”, mas é muito mais que isso.

A tal fábrica e suas chaminés se trata da Battersea Power Station. Situado às margens do Rio Tamisa, em Londres, a edificação foi construída em duas partes. A primeira em 1930, e a segunda em 1950, sendo a primeira usina de eletricidade da Inglaterra movida a carvão, até 1983, quando foi desativada.

Mesmo sendo um cartão postal da cidade, depois de sua desativação, a Battersea Power Station, passou alguns anos abandonada, com risco de ser demolida para dar lugar a um bairro residencial de casas populares. Depois de perambular por diversos proprietários e possíveis investidores, que tinham seus projetos abandonados, surgiu a idéia de torná-la um centro cultural.

Em 2012 um grupo a comprou por 400 milhões de Libras, e ao redor da usina estão sendo construídos apartamentos residenciais e comerciais, que devem ser entregues em 2017. Como podem perceber, a capa de “Animals” chama tanto a atenção como o próprio álbum, com ideia concebida por Rogers Waters e a equipe da Hipgnosis.

 O porco (batizado de Algie), foi encomendado de uma empresa alemã, Ballon Fabrik, que tinha no passado, a experiência em fabricar dirigíveis. Algie (o porco), media 12 metros, e foi inflado para a foto da capa de “Animals” no dia 2 de dezembro de 1976.

Por um descuido o inflável se soltou indo em direção ao aeroporto de Heathrow, ocasionando pânico e cancelamento de vários vôos, indo cair mais tarde em um pasto na cidade de Kent.

Recuperado, o porco voltou a ser inflado e novamente fotografado, mas as sessões do primeiro dia foram consideradas melhores, e uma delas foi adicionada à capa, com as demais inseridas no encarte interno. A Battersea Power Station pode ser vista também em algumas cenas do segundo filme dos Beatles, “Help”.3

Vitão Bonesso.

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